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O mago sem nome



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Em Fogo Azul, uma região no norte do mundo, todos viviam tranquilos.

Apesar das suas neves eternas, ninguém passava frio, pois uma pequena chama de cor azul índigo vivia no coração de todos; era uma chama que não queimava, mas que mantinha os lares das famílias bem quentinhos.

E como faziam isso?

Todas as manhãs, ao primeiro raio de sol, os vizinhos juntavam-se à entrada do bosque, subiam a uma pedra incandescente, formavam um círculo, davam as mãos e permaneciam em silêncio até que o mais velho de todos invocava o espírito do fogo com palavras mágicas:

Karabá, Karabim, prende a tua chispa a mim!

E a chama azul revivia nos seus corações.

Porém, um dia houve em que amanheceu chovendo tanto, que as pessoas não saíram à rua.

Tiveram medo de que as gotas que caíam do céu apagassem a sua chama e decidiram invocar Karabá Karabim nas suas próprias casas.

O que não sabiam era que o fogo surgia do amor que existia entre todos, quando se juntavam em círculo sobre a pedra… de modo que, a pouco e pouco, este se foi apagando, até que em Fogo Azul todos acabaram por ficar a viver perdidos num sono sem sonhos.

Andavam com os olhos abertos, mas estavam adormecidos, como os sonâmbulos.

Olhavam uns para os outros, sem se ver.

Durante sete primaveras continuou a chover, sem cessar, e o barulho constante das gotas de chuva a cair no povoado foi apagando a alegria dos seus habitantes.

Até que, um dia, as nuvens, num descuido, deixaram passar um raio de sol.

Em Fogo Azul, todos, de repente, despertaram e, cheios de esperança, correram até à entrada do bosque para invocar Karabá Karabim, dando de novo as mãos.

Porém, quando lá chegaram, esperava-os o Grande Aguadeiro.

Esse monstro malvado colocara o seu trono mesmo por cima da pedra incandescente, guardado por um exercito de pequenas gotas.

Habitantes de Fogo Azul – gritou -, a partir de agora, aquele que acendia a chama nos vossos lares será o Mago Sem Nome, pois eu destronei-o!

Venerai o vosso novo chefe!

E, de novo, todos caíram num sono sem sonhos.

Todos menos Pedrinho que, graças à sua tenra idade, ainda conseguia dormir uma soneca.

E foi à sombra de uma grande árvore que o mago Karabá Karabim o encontrou e lhe falou
desta maneira:

Pedro, Pedrinho, tens de acordar o povo da aldeia pois, desde que chegou o Aguadeiro, esta gente anda com a cabeça no ar, tão cheia de ruído que ninguém é capaz de encontrar as palavras para me invocar.

– Mas que poderei eu fazer? Sou apenas um menino, o Homem da Água é muito poderoso e, com a força das suas gotas de água, conseguiu apagar a rua recordação das cabeças deles…

– Conta-lhe uma adivinha, Pedrinho! Se conseguires que o aguadeiro não acerte, perderá o seu poder e partirá, cabisbaixo, sem tugir nem mugir.

Quando o Pedrinho acordou nem queria acreditar no que sonhara e, de novo, a esperança nasceu nele.

A medida que se aproximava da pedra, a caminho de sua casa, uma série de adivinhas iam surgindo, aos pulos, na boca do menino, querendo sair.

– Lembra-te, Pedrinho, conta uma adivinha ao aguadeiro!

E Pedrinho, compreendendo que não tinha nada a perder, foi falar com o Homem da água.

Ei, tu, aguadeiro – disse, sem medo – vê lá se adivinhas isto: qual a coisa qual é ela que, mal começas a dizê-la, logo se acaba?
– Estás a desafiar-me, monstrinho?

– Monstro? Sou apenas um menino que quer brincar.

As gotas de chuva, muito agitadas, começaram a bater no chão e ao aguadeiro não lhe restou nada mais que aceitar o desafio.

– Está bem, gnomo. É uma árvore? Uma serpente? Um ovo?
– Não sabes! Não sabes! – gritavam as gotas de chuva, desejosas de invadir novos mundos.
– É o silêncio. Por que não compras um bocado de bosque para nele te perderes? Aqui já não fazes nada!
– Insolente. Olha que te vou…
Mas as gotas de chuva já o haviam abandonado e o aguadeiro, que não era nada sem elas, esvaiu-se em fumo, como por magia.

…E foi assim que Fogo Azul, como a Fénix, renasceu das cinzas.

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