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O mago com raízes



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Sempre que alguém entrava no bosque de Borracha, tinha a sensação de estar num mundo macio, suave.

Os troncos sinuosos das árvores eram elásticos, as águas do ribeiro corriam como línguas de creme, as flores colavam-se às mãos como plasticina, o chão quase se fundia sob os pés e as árvores riam tanto, que ficavam sem folhas, negando a sua sombra.

Os pássaros eram de espuma pintada e as amoras, no bosque de Borracha, pareciam precisamente isso, borracha, mas não uma borracha qualquer, tinham sabor a natas.

A gente daquele lugar ficava com os cabelos em pé, ao passar por perto, e preferiam dar uma grande volta a aventurar-se lá dentro.

Porém, Gabriel, um forasteiro que por ali passava, de nada sabia.

Tendo sede e desejoso de repouso, meteu-se bosque adentro.

Quando se debruçou no ribeiro, para beber água, este atirou-lhe tal jacto de doce que o atirou contra uns arbustos que não paravam de lhe fazer cócegas com os seus raminhos de borracha.

– Este bosque parece estar embruxado – disse, saindo a correr pelo caminho que havia no meio.

Passava do meio-dia quando, esgotada de tanta aventura, se recolheu à sombra de um pomar; aí, apanhou uma maça e qual não é o seu espanto ao ver uma lagarta de borracha a entrar na sua boca!

– Ei, cuidado que não sou comestível.

Sou feita de goma arábica, colo muito bem mas creio que não é disso que o teu estômago necessita.

Gabriel apanhou tal susto, que ficou maldisposto até à tarde e não mais parou de correr até que chocou com uma formiga enorme.

– Aonde vais com tanta pressa?

– Mas onde já se viu um ribeiro de mentol, uma maçã que ri ou uma lagarta de borracha?

– É o milagre deste lugar. Aqui, todos somos originais. Se te habituas a que as coisas sejam sempre como esperas, acabas por
adoçar – respondeu a formiga.

– Adoçar? Como assim?

– Sim, adoçar; acabas por adormecer, por te habituar; tornas-te mole, enfim, vais morrendo em vida…

– Ou seja, queres dizer que o mais saudável para mim é falar com formigas gigantes.

– Não tens outro remédio. De que te queixas? Terás assim tanto medo que não és capaz de suportar um pouco de imaginação?

– O que eu quero é beber água fresca, comer fruta sem lagartas enfeitiçadas e dormir á sombra de uma árvore, sem

sobressaltos. Nas minhas viagens por todos os lugares do mundo nunca vi nada igual.

– Humanos! Puff! Já te entendo; o que procuras é a árvore normal.

– A árvore normal?

– Sim, é uma pereira que fica mesmo à Frente da cova do Senhor Coelho. Não faz nada de nada; é tão normal como a normalidade em pessoa.

– Pois é mesmo para lá que vou. É disso que andava à procura.

E, sem mais discussões, Gabriel pôs-se a caminho.

Quando chegou ao pé da pereira, parou, impressionado.

Os seus ramos eram tão frondosos e os seus frutos tão estranhos que, de tão cansado e admirado, adormeceu debaixo da sua copa.

Pouco depois, ouviu-se uma voz:

– Socorro. Ajudem-me! Acorda, humano estúpido, ou a força dos meus ramos acabará por te envolver irremediavelmente!

– Quem fala? – perguntou Gabriel, cheio de medo.

– Sou a árvore.

– Impossível, a formiga disse-me que tu eras uma árvore normal.

– Que parvoíce! Sou o mago Imaginário e, um dia, passeando pelo bosque, deixei cair a minha bolsa que se derramou e a imaginação começou a impregnar ludo, a um ritmo tal, que a deixei escapar das mãos. Então, ganhei raízes e comecei a dar peras como um doido…

– Estou a sonhar – insistia Gabriel, arregalando os olhos.

– Apenas um ser humano me pode ajudar e já há muito que ninguém passa por aqui. Por isso, és a minha única esperança!

Liberta-me! – implorou o mago.

– E que ganho eu com isso?

– Parece-te pouco devolver a imaginação á sua origem? Uni pouco de imaginação é bom mas, se perdes o controlo, o teu mundo
poderá sofrer sérias consequências, Deixa que a ponha de novo na minha bolsa e ninguém mais correrá perigo.

– De acordo, mas promete que, depois de te salvar, me darás a beber da lua bolsa, pois a minha imaginação é a mais aborrecida possível e nunca me ocorre nada de jeito. Estou há muitos anos à procura de algo que me desperte, mas nada consegui até agora.

– Prometido, Se me libertares, terás tanta imaginação, que te poderás dedicar a escrever histórias.

E foi assim que Gabriel se tornou um escritor famoso em lodo o mundo.

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