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Nas asas do vento



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Era uma vez uma escola chamada Alta Escola de Magos do Ar, onde uma das disciplinas ensinadas era o Voo.

Como toda a gente sabe, os pássaros nascem com asas, mas os seres humanos não.

Por essa razão, os alunos dessa escola não podiam fazer como as andorinhas que, um belo dia, resolvem abrir asas e atirar-se das alturas, a voar, a voar se o tentassem, o mais provável seria que se transformassem em tortilha de mago jovem, despedaçando-se contra o chão.

Por isso, a primeira coisa que tinham de aprender era fazer crescer as suas asas.

O Mestre de Voo tinha a seu cargo várias turmas, desde os «Novos no Ninho», que eram os mais pequenos, até aos «Asas de Ouro», adolescentes quase a licenciar-se como Magos, que já dominavam o voo na perfeição e se dedicavam a executar complicados exercícios de acrobacia.

Tinha também um problema: Iago.

Iago era um menino de dez anos que, com essa idade, deveria estar já, pelo menos, nos «Asas Brancas» e ser capaz de dominar as técnicas de voo mais simples, mas era ainda e só um «Ovo no Ninho» ao qual nem sequer haviam crescido as asas.

As asas dos magos não são, evidentemente, de carne e penas, visto que isso tornaria muito difícil vestirem-se, mas sim de ar e luz, um jogo mental que lhes permite percorrer os céus do espírito nos braços do vento.

Por vezes, acontece que um aluno ou outro da Alta Escola dos Magos do Ar não é capaz de superar as difíceis provas que aí se lhes deparam.

Neste caso, passa para uma das ordens de Magos inferiores, onde encontra um trabalho do seu agrado e toda a gente fica contente.

Porém, no caso de Iago, havia um problema: ele era o melhor do seu curso em todas as outras disciplinas.

Um aprendiz de Mago como não se via fazia muito, desde os tempos de Herriel, que acabou por chegar a Arquimago e… mas isso é já outra história.

O facto é que o Mestre de Voo, não sabendo mais o que fazer, o mandou ver Grande Pitonisa.

Iago sentou-se à frente dela, um pouco inquieto, na fresca obscuridade do Santuário do Oráculo.

A Pitonisa olhou-o e transmitiu-lhe pensamentos tranquilizadores de segurança e de amor.

Depois, disse-lhe, num sussurro:

– Chamo-me Lira. Porque te enviaram até mim?

– Porque não tenho asas – respondeu lago, timidamente.

– Estou a ver – disse a mulher, acrescentando:

– Deixa-me consultar o Olho Que Tudo Vê.

Levantou um pano de veludo que ocultava bola de cristal envolta em nuvens.

A pouco e pouco, foi-se formando na bola uma imagem.

Lira olhou para Iago e perguntou:

– Que vês?

O menino olhou para a bola de cristal e, por entre as nuvens, viu-se a si próprio, voando, com umas asas de luz tão lindas, tão lindas, nascendo das suas costas.

– Vejo-me a mim próprio… voando!

– Sabes o que significa isso?

– Significa que, um dia, hei-de voar, como todos os outros.

– É isso mesmo. Agora, o que temos de descobrir é a razão por que ainda o não conseguiste fazer.

A Pitonisa continuou a olhar para a bola de cristal, com grande concentração e, pouco depois, assinalou qualquer coisa a Iago:

– Estás a ver isto?

– Sim, é uma porta.

– É isso mesmo. Como já te disseram antes, os magos não são como as aves, não voamos pelos ares, mas sim no espaço mental da
nossa visão. Tu não tens asas porque ainda não atravessaste a porta que te levará a esse espaço.

– E como o poderei fazer?

– Terás de falar com o Guardião. Cada um de nós tem a sua própria Porta e cada Porta tem um Guardião.

– E onde está? Gostaria de vê-lo!

– O Guardião da Porta está no nosso interior; acompanha-me, Lira levou Iago a uma pequena gruta que se abria numa das
paredes.

Ali o ar era fresco e puro e a água escorria pelas paredes rochosas, cantando uma melodia envolvente.

– Senta-te. Respira profundamente e deixa que o Ar te abra por dentro.

Iago entrou em si próprio, seguindo o ritmo da sua respiração.

Encontrava-se num caminho lavrado na pedra, num caminho que nunca antes vira, embora lhe parecesse estranhamente familiar, avançou, quase sabendo de antemão o que viria a seguir, recordando mais que descobrindo até que, ao chegar a um ponto do caminho, parou e ficou muito quieto. Sabia, sem nunca ali ter estado, o que o esperava do outro lado e… teve medo.

Nesse momento, escutou, num sussurro, a voz de Lira:

– O medo é apenas um aviso para que tenhamos cuidado, não para nos deter.

Continuou a avançar e, do outro lado co caminho, viu a Porta.

Junto da Porta estava o Guardião, imponente, vestido com uma túnica negra que o cobria por inteiro. O menino tentou falar com ele, mas o Guardião não lhe respondia.

Por fim, voltou a respirar profundamente e aproximou-se dele.

Sem saber bem como, arranjou coragem para levantar o capuz que cobria o rosto do Guardião e, sob o manto, apenas encontrou um espelho.

Nesse instante, ouviu claramente a voz de Lira:

– Muito bem, Iago, descobriste o Grande Segredo.

O Guardião da Porta que leva ao nosso Espaço Interior é a tua própria mente. Tu és o único que te pode dar autorização para a atravessar, a partir daí, Iago foi várias vezes até à Porta, libertando-se de cada vez de algum pensamento, do medo, do orgulho e, por fim, permitindo a si próprio atravessá-la; claro que conseguiu viver, para sempre, feliz com as suas Asas do Vento.

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