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A voz da água



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Era uma vez um rapazinho chamado Delfim que não queria ser mago, apesar de a sua história ser um pouco mágica, pois havia sido encontrado na floresta com apenas três anos, ninguém sabendo de onde viera.

Tivera sempre muito medo de tudo o que estivesse relacionado com feitiços e conjuros.

Até as histórias de bruxas e poções faziam com que não conseguisse dormir; deste modo, não tinha intenção alguma de se dedicar a fosse o que fosse que tivesse a ver com Artes Mágicas.

Pelo menos, até ao dia em que começou a ouvir a voz das águas.

Ao princípio, eram os grandes lagos que, quando Delfim passava, lhe murmuravam, num rumor:

– Olá, Delfim, grande mago das águas! E Delfim fugia, correndo, espavorido.

Em breve s situação piorou e foram as águas dos rios que começaram a saudá-lo, assim como as águas das fontes e até as gotas de chuva que baliam nos vidros da sua janela durante todo o Inverno.

Delfim andava muito preocupado, quase não conseguia dormir, e os seus amigos começaram a dizer que andava
muito desmemoriado e que tinha de ir ver Lara.

Porém, Lara era uma feiticeira, o que lhe causava ainda mais medo.

Até que, num dia deterão, em que o calor era tanto que se tornara quase insuportável. Delfim, ao beber água de um cântaro, viu, surpreendido, que o precioso líquido, ao cair, lhe dizia:

– Saudações, Delfim, grande mago das águas!

Então, vendo que nada mais lhe restava, foi a casa de Lara.

Quando, por fim, se atreveu a entrar, tendo tido de se encher de coragem, encontrou uma pequena sala, iluminada apenas por algumas lamparinas de azeite, que desprendiam uma estranha fragrância, mas que, no entanto, era agradável.

Delfim chamou, num sussurro:

– Mãe Lara!

– Entra, estava à tua espera!

– Bom, Mãe Lara. é que…

– Não precisas de me contar nada. Ando a observar-te na minha bola de cristal desde que eras bebé.

Desde que nasceste que prodígios e sinais te acompanham.

Lara surgiu de entre umas cortinas, com o seu ar de velha cigana, adornada com um cinturão de moedas de oiro e vestida com vários mantos sobrepostos de todas as cores do arco-íris. Pegou na mão de Delfim e disse:

– Vem!

Enveredaram por uma passagem escavada na rocha, iluminada por tochas de luz tremeluzente, que faziam sombras que causavam arrepios ao pobre Delfim.

A dado momento, o rapaz deixou de ver

Lara, mas continuava a ouvir a sua voz, que seguia, como que hipnotizado.

– Este é o caminho do teu medo. Deves atravessá-lo sem olhar para trás.

E Delfim assim o fez.

Acabou por chegar a uma porta de madeira, muito antiga, com cravos negros na sua superfície.

A voz de Iara disse:

– Esta é a porta do mistério. Acabam aqui as tuas possibilidades de escolha. Ou dás a volta e te viras para os medos, vivendo para sempre com eles, ou abres a porta e aceitas o teu destino.

Delfim sentiu uma sensação muito estranha. Cada vez tinha menos medo e parecia que, finalmente, chegara a casa, depois de uma longa viagem.

Abriu a porta.

Do outro lado, havia uma imensa gruta e, no fundo, viam-se as águas cristalinas de um lago de montanha.

– Recordas-te do que tens de fazer?

Delfim, que sentia que voltara ao lugar, respondeu:

– Entrar nas águas.

O rapaz despiu-se e mergulhou, de cabeça, no lago profundo.

– Saudações. Delfim! – disse o Lago.

Assim que entrou nas águas. Delfim descobriu que podia respirar debaixo delas e soube, sem que ninguém lhe dissesse, onde deveria dirigir-se.

Nadou até ao fundo, onde encontrou uma pequena greta na parede do lago, por onde entrou até chegar a um rio de águas tumultuosas, que o acolheu, dizendo, com a sua voz de espuma:

– Sê bem-vindo!

Delfim deixou-se levar pela corrente que o levou até umas portas de cristal, que reflectiam as mil cores de um
raio de Sol que entrava do alto da gruta.

Aí, encontrou uma sereia sentada num trono de rocha e algas, uma mulher com cauda de peixe, tão bela que sentiu uma emoção insuperável.

E conhecia essa mulher. Ela olhou-o, com uma expressão de imensa alegria, e disse:

– Por fim, meu filho! Por fim, conseguiste voltar!

Explicou-lhe então que era seu filho, que se chamava Aura, a Ninfa protectora daquelas águas, e de Alador, um mago poderoso que morrera combatendo o dragão Hurliem.

Contou-lhe que, ao pertencer aos dois mundos, podia viver na terra e nas águas e que, uma tarde, se pusera a andar, a andar, e que nunca mais voltara.

Ela tentara sempre chamá-lo, através da voz das águas, até que finalmente a escutara.

Delfim sentiu-se cheio de amor, de um infinito amor e viveu alguns anos junto a sua mãe e das criaturas aquáticas, mas depois voltou a terra, onde se tornou um mago muito poderoso.

Lutou contra o dragão Hurliem, que venceu e mandou para terras obscuras.

E sobre ele se escreveram lendas e canções que há muito se esqueceram…

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